Leve grátis: concerto de Herbie Hancock e Dave Holland no Porto

Hugo Torres July 24th, 2008

herbie_hancock.jpg

Foi com agrado que, hoje, entrando nos jardins do Palácio de Cristal, avistei a grande lona (uma das) que lá está, à porta, publicitando que Herbie Hancock tocará ali mesmo, nos jardins, a 3 de Agosto, 22h00, de graça. Sim: de graça. E com Dave Holland entre os elementos da banda. Imperdível, está claro.

The Dark Knight’s night has come

Hugo Torres July 24th, 2008

Às primeiras notas de JBM, no Cineblog, vou provando parte das ideias que levo para ver The Dark Knight, mais logo: a morte Ledger subverteu a própria narrativa — «O Batman que se dane. Queremos o Joker.» Ou não terá sido a morte? Logo veremos. (Pela peça alargada que vi ontem sobre a feitura do filme, não é da morte, não… Veremos.)

«O nosso destino era bombear»

Hugo Torres July 24th, 2008

Há viagens, sabem vocês, que parecem determinadas para ilustrar a vida e ficam como símbolo da existência. A gente luta, trabalha, sua, quase rebenta, às vezes rebenta mesmo para realizar qualquer coisa… e não consegue. Não é que nos caiba a culpa. Simplesmente não é possível fazer nada de nada, grande ou pequena coisa… nadinha deste mundo… nem mesmo casar com uma solteirona ou levar ao porto de destino a miséria de umas 600 toneladas de carvão.

CONRAD, Joseph (1984), Mocidade — uma narrativa. Lisboa: Assírio & Alvim.

Estar na moda é rentabilizar a língua

Hugo Torres July 23rd, 2008

Passando os olhos pelos valores que o mercado editorial movimenta, não deixa de saltar à vista que o primeiro lugar da tabela é ocupado pela Grã-Bretanha, que relega os Estados Unidos (quantas vezes maior?) para o segundo posto. Numa leitura rápida, e sem extravasar para a exportação do mercado britânico para a tradução, sem discutir quantidades de qualidades e sem chegar à educação, dizer que a língua inglesa gere muito dinheiro, que é o que nós, por cá, deveríamos ter em consideração. E até calha em boa altura esta laracha, não?

Arranca requalificação do «quarteirão das artes»

Hugo Torres July 23rd, 2008

filipe_oliveira_dias-miguel_bombarda.jpgNa Porto Sempre — Revista da Câmara Municipal do Porto, que ontem recebemos cá por casa, diz assim (p.27): «A Rua Miguel Bombarda vai ser requalificada. A CMP já abriu, para o efeito, o respectivo concurso público com vista à adjudicação das obras, que abrangem o troço da Rua da Boa Nova, entre D. Manuel II e Adolfo Casais Monteiro. A intervenção consiste na reformulação de todas as infraestruturas existentes, incluindo a iluminação pública, bem como na transformação em arruamento pedonal, sem prejuízo dos acessos a garagens, cargas e descargas e veículos prioritários. Segundo o projecto de do arquitecto Filipe Oliveira Dias, o revestimento final do pavimento será feito em placas de granito serrado, micro cubos de granito e placas de betão pigmentado, com sete desenhos distintos e uma série de caras, esculpidas em granito, da autoria de Ângelo de Sousa.»

bombarte_publico.jpgO que nos ocorre, desde logo, é um desafogado «finalmente». Primeiro porque o projecto de Filipe Oliveira Dias já não vai para novo — tem 10 anos! Depois, porque a dita «Soho portuguesa» (o carácter antitético do nome tem a sua graça — pensemos nas duas palavras enquanto adjectivos) está mesmo, mesmo, mesmo a precisar. É um caso especial do Porto, e isso deve ser levado em conta. Há uma dinâmica excelente no quarteirão, no que às artes diz respeito, e a verdade é que as festas bimensais, com inaugurações simultâneas em mais de duas dezenas de galerias, resulta não raras vezes em diligências desconfortáveis para os visitantes: lixo, carros, buracos… para não falar nas casas devolutas, que isso… Esta necessidade é tão evidente que o que as pessoas querem, por cá, é que o projecto aprovado avance, não há discussões se seria melhor assim ou assado. Podem ter existido, mas já não. Nem pio (que se leia). E nós, portugueses, que tanto gostamos de mandar bitaites para todo o lado! Quem o fez e bem (e foi premiado por isso) foi um grupo de alunos do ensino secundário, que ao longo deste ano andaou a pensar o «quarteirão das artes», com resultados práticos. A jornalista Patrícia Carvalho arranjou mesmo um debate, na redacção portuense do Público, com o arquitecto Filipe Oliveira Dias (foto).

No entanto, o que sabemos é que a notícia vem tarde (a revista chegou atrasada ao correio): vimos as obras começarem, nas traseiras no Museu Soares do Reis, na semana passada. Vão devagarinho, mas vão. Cá estaremos para aturar as máquinas, quando chegarem cá acima.

Trivial: da distância entre o sangue e o sobrenome

Hugo Torres July 23rd, 2008

Passeando pela rede, encontrei uma pequena inverdade — pouco relevante, é certo, quem sabe até uma insignificância histórica, mas, de facto, Michael Mann, o realizador de The Insider (1999) e Collateral (2004), não é filho do escritor alemão Thomas Mann. O filho mais novo deste último Mann também se chamava Michael, mas já está morto há mais de 30 anos, e, apesar de ter sido também ele um artista, era músico e professor de literatura. Chamava-se Michael Thomas Mann, ao passo que o de Hollywood se chama (ainda) Michael Kenneth Mann. Talvez tenha havido confusão com a passagem do Nobel da Literatura pelos Estados Unidos (uma coisa leva à outra…), ou talvez tenha sido mesmo brincadeira. A Wikipédia tem destas coisas. Portanto, façam cuidado.

«A verdadeira razão da sua aceitação é inexplicável»

Hugo Torres July 23rd, 2008

Só a eterna boémia acha monótono e tende a ridicularizar o facto de um grande talento ultrapassar a libertina fase do casulo, se habitue a tomar consciência e expressar a dignidade do espírito e aceite as regras do jogo de uma solidão cheia de sofrimento e lutas, mas que instaura poder e honra entre os homens. Aliás, quanto jogo e prazer, quanta obstinação está na formação do talento!
(…)
Pois também do ponto de vista pessoal a arte é uma vida superior. Ela proporciona uma felicidade mais profunda, digere mais depressa. Ela deixa no rosto do seu servidor os vestígios de aventuras imaginárias e espirituais e com o tempo, mesmo quando há calma monástica na existência exterior, hábitos, ultrasensibilidade, cansaço e curiosidade nos nervos, tal como uma vida cheia de prazeres e paixões desregradas dificilmente consegue atingir.

MANN, Thomas (1987), A Morte em Veneza. Lisboa: Relógio d’Água.

«Todos temos culpa!»

Hugo Torres July 23rd, 2008

Em tempos de torpor é bom andar com a esperança lúcida de António Gedeão, em R.T.X. 78/24 (ed. Guimarães Editores, 1978). Opto por não citar aqui qualquer pedaço da obra, por pena de o ter que fazer com páginas inteiras, o que seria maçudo para o formato em que nos apresentamos. Aconselho vivamente — isso, sim — a leitura. Só. É teatro.

Pérola de César Monteiro

Hélder Beja July 22nd, 2008

Tropecei nisto. Excerto do filme Que Farei Com Esta Espada? (1975), de João César Monteiro. Teaser: uma prostituta explica com engatar um americano em Portugal. O Camarinha tem muito que aprender com esta senhora.

Biblioteca Fútil: Boa Vontade

Hélder Beja July 22nd, 2008

Para ler na Ler e também aqui: o excelente texto de Pedro Mexia sobre Angelina Jolie e as suas missões neste mundo. Deixamos um aperitivo.

“Quando Angelina alinha uma frase de intenções humanitárias, nós lemos uma frase de inclinações libidinosas: «Havia qualquer coisa agradável no facto de as minhas roupas estarem tão sujas e eu saber porquê.» Há passagens que não afectavam ninguém se escritas por Madre Teresa de Calcutá, mas que escritas por Angelina são sugestivas. Um exemplo: «Também não tenho dormido muito bem. Provavelmente é porque fico sempre tão molhada.» É mais provável que nos recordemos de Angelina «molhada» do que aqueles clichés como «Precisamos de abrir os olhos para a maravilhosa diversidade deste mundo».”

* Estado Civil, blogue do Mexia, é do melhor que há na rede. Não perco um post.

Das «bollocks» sobre os Sex Pistols

Hugo Torres July 22nd, 2008

De uma vez por todas: acabem lá com a história de que o malogrado Sid Vicious foi o grande mentor dos Sex Pistols, que, sem ele, a reunião da banda não faz sentido. Isto irrita-me particularmente. Não porque seja um aficionado dos londrinos — o mais provável é nem ir a Paredes de Coura vê-los, a 31 de Julho —, não apenas porque seja mentira, mas sobretudo porque há uma tendência para a construção de mártires icónicos que roça a obscenidade e que extrapola, as mais das vezes, as fronteiras do razoável. Como se não tivéssemos vidas e, especialmente, dois olhos na cara.

never_mind_the_bollocks.jpgVamos pôr as coisas desta maneira (para não escandalizar as gentes, afirmando que o miúdo Sid não sabia — ou não conseguia — tocar duas notas): Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols (Virgin, 1977), o histórico disco da banda, o único disco oficial com Rotten na voz, o disco que mudou para sempre o Rock, o disco que a Rolling Stone considerou, em 1987, como o segundo mais importante dos (então) últimos 20 anos, atrás de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, esse disco onde se encontram malhas incontornáveis como as de God Save the Queen ou Anarchy in the U.K., esse, inclui apenas dois temas com o dedo de Vicious (em parceria com os restantes três elementos) — Holidays in the Sun e Bodies —, sendo que os restantes 10! temas são do quarteto original — Johnny Rotten, Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock. Este último, o primeiro baixista dos Sex Pistols, entre 1975 e 1977, é quem encontrarão em palco, no dia 31, no lugar que nunca deveria ter sido de Vicious.

Se isto é um figurante

Hugo Torres July 22nd, 2008

João Nicolau está a realizar uma nova curta-metragem, intitulada Canção de Amor e Saúde, com produção de O Som e a Fúria, e está a precisar de figurantes. Os interessados, disponíveis para comparecer em Serralves, Porto, entre 28 e 30 de Julho, devem confirmar via e-mail.

De lembrar que Nicolau é o realizador que fez história no Curtas de Vila do Conde, quando, em 2006, se tornou no primeiro português a vencer o Grande Prémio do festival, com Rapace. Em preparação está já uma longa-metragem (90 minutos, em 35 mm), de nome A Espada e a Rosa, que deve ver a luz do dia em 2009.

Revolucionando #09: The Doors

Hugo Torres July 21st, 2008

O concerto dos Riders On The Storm (a.k.a. The 21st Century Doors), em Vila Nova de Gaia, teve uma particularidade: um pequeno comentário político pró-Obama de Ray Manzarek, que, contente pelo fim próximo do actual mandato presidencial norte-americano, assegurava que os grandes problemas de W. Bush e de Dick Cheney são, respectivamente, nunca ter fumado erva e nunca ter tomado LSD. E dedicou-lhes Five to one (Waiting For The Sun, 1968). A Wikipedia dá-nos uma ajuda para explicar o escrito de Morrison: «Five to one is rumored to be the approximate ratio of whites to blacks, young to old, or non-pot smokers to pot smokers in the US in 1967, depending on whom you ask. A further urban legend has it as the ratio of Viet Cong to American troops in Vietnam. Jim Morrison said the lyrics were not political, which means it’s maybe about russian rullet, a game.» O negrito é nosso: é essa a hipótese comummente aceite.

Yeah, c’mon.
Love my girl.
She lookin’ good.
C’mon.
One more.

Five to one, baby, one in five,
No one here gets out alive now.
You’ll get yours, baby, I’ll get mine,
Gonna make it, baby, if we try.

The old get old and the young get stronger,
May take a week and it may take longer,
They got the guns but we got the numbers,
Gonna win, yeah, we’re takin’ over, come on!

Wow!

Your ballroom days are over, baby.
Night is drawing near,
Shadows of the evening
Crawl across the years.

You walk across the floor with a flower in your hand,
Trying to tell me no one understands,
Trade in your hours for a handful dimes.
Gonna make it, baby, in our prime.

Got together one more time,
Get together one more time,
Get together one more time,
Get together, (one more time).
Get together one more time!
Get together one more time!
Get together one more time!
Get together one more time!
Get together, gotta get together
Gotta get together, gotta…
Na na, na na na na na…
A-a-aargh, whoah!

Hey, come on, honey,
You’ve goin’ along home and wait for me, baby.
I’ll be there in just a little while,
You see, I gotta go out in this car with these people
And get fucked up.

Get together one more time!
Get together one more time!
Get together, gotta…
Get together, gotta…
Get together, gotta…
Take me up in the mountains and…
Ha-ha-ha-ha-ha.
Love my girl,
She’s lookin’ good,
Lookin’ real beautiful.
Love ya, c’mon!
Feel!
Hey!
Come on!
Wow!

DOORS, The (1968), Waiting For The Sun. Nova Iorque: Elektra Records.

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