Húmus

Hugo Torres e Hélder Beja às voltas com a Cultura

Aviso à navegação

Por Hugo Torres| Julho 2, 2009 | Sem Comentários

Rui Manuel Amaral (vide blogue), contista que vem colaborando com o RASCUNHO, escrevendo semanalmente uma micro-ficção vai entrar num período sabático. Deixaremos, por tempo indeterminado, de contar com os seus textos à sexta-feira. É tempo de descanso, o que, em tempos tão acelerados, bem se compreende e até se sugere. Por cá, já lhe sentimos a ausência. Estou certo que desse lado também.

Rui Tavares sobre a influência do TGV em arquipélagos de cidades

Por Hugo Torres| Julho 2, 2009 | Sem Comentários

Li ontem a crónica de Rui Tavares no Público, intitulada Arquipélagos, que aqui queria partilhar. Como o tempo foi pouco, o próprio historiador dá uma ajuda à reprodução do texto, publicando-o no seu blogue, onde o podem ler na íntegra. Então:

Esta globalização em que vivemos é uma globalização de cidades. Foram elas que desde o início (desde o século XVI) contribuíram para amarrar os nós, as rotas, de que foi feito o comércio internacional. Sozinhas, valem pouco. Ligadas, valem muitíssimo.

As cidades tendem a aglomerar-se e a interligar-se porque assim multiplicam os seus potenciais. Formam arquipélagos, e entre cada cidade desses arquipélagos (e cada arquipélago de cidades) trocam-se produtos, serviços e ideias.

O valor económico desses arquipélagos de cidades é difícil de calcular. O economista Richard Florida tentou fazê-lo e as conclusões a que chegou são surpreendentes. A mega-região urbana mais rica da Europa não é a Grande Paris nem a Grande Londres. É o arquipélago urbano de Amsterdão-Antuérpia-Bruxelas-Colónia-Lille, onde vivem quase 60 milhões de pessoas e que produz mais riqueza do que a China, o Canadá ou a Itália. O seu valor aparece escondido porque se trata de um arquipélago cujas “ilhas” estão espalhadas por cinco países.

Agora eis o mais interessante: a Península Ibérica é ela mesma um conjunto destes arquipélagos urbanos. O mais rico é dominado por Barcelona, que é transfronteiriço e vai até Marselha. O segundo mais rico é o corredor urbano que vai da Grande Lisboa até à Corunha, passando pelo Grande Porto. Em terceiro lugar aparece a enorme ilha de Madrid, plantada no meio da Meseta.

(…)

Vindo do passado para o futuro, o que fazer com estes arquipélagos? Ligá-los através do TGV é uma resposta possível. O arquipélago de Amsterdão está assim ligado ao de Paris e este ao de Londres. Um advogado ou professor da mediana Lille, na Flandres francesa, pode encontrar clientes e colegas a uma hora de distância em algumas das cidades mais importantes da Europa, sem aviões nem aeroportos. Entra numa estação no centro da cidade, e sai noutra igualmente central, sem check-in, sem embarque, sem tirar os sapatos para os passar pelo raio-x.

(…)

Persepolis 2.0

Por Hugo Torres| Julho 2, 2009 | Sem Comentários

persepolis-2_0
Aí está a continuação de Persepolis, dada a actualidade iraniana. Marjane Satrapi não faz, mas tem conhecimento da inspiração de Payman e Sina nas suas personagens e autoriza. Os autores são de origem iraniana. O álbum pode ser descarregado e visto aqui. (Dica do Cadeirão Voltaire.)

«Seven-six-two millimeter. Full. Metal. Jacket.»

Por Hugo Torres| Junho 30, 2009 | 1 Comentário

Nunca fui rapaz para me pôr a ver de uma assentada os filmes de um realizador que tenha em boa conta. O mesmo com Kubrick. Ontem, vi finalmente Full Metal Jacket (1987) e, afianço-vos, este homem é dos poucos que me consegue levar e trazer com as expectativas no topo. Estará numa possível lista de preferidos, que não farei. Levo-o na boca, o que, comigo, memória de peixe-dourado, é uma grande coisa.

This is my rifle. There are many like it but this one is mine. My rifle is my best friend. It is my life. I must master it as I must master my life. Without me, my rifle is useless. Without my rifle I am useless. I must fire my rifle true. I must shoot straighter than my enemy, who is trying to kill me. I must shoot him before he shoots me. I will. Before God I swear this creed: my rifle and myself are defenders of my country, we are the masters of our enemy, we are the saviors of my life. So be it, until there is no enemy, but peace. Amen.

À espera que alguém faça a mancha

Por Hugo Torres| Junho 30, 2009 | Sem Comentários

Na última semana tive pela primeira vez vontade genuína para pegar no D. Quixote de Cervantes e o ler. Não sei se é desculpa, mas agora acho que faço birra e só leio quando conseguir ter nas mãos a tradução de José Bento (ed. Assírio & Alvim), que não é a minha.

Voltando aos livros com tempo

Por Hugo Torres| Junho 30, 2009 | Sem Comentários

Há novo livro no alimento, aqui ao lado. É o primeiro romance do jornalista Miguel Cardoso Pereira, companheiro nas lides de A Bola.

Nesta noite de amendoins destaco-me por misturar cascas com os que estão por comer, o que irrita os outros. A ti também, miúda. Não gosto do tema da conversa. Ou melhor, gosto. Só não gosto de ver toda a gente de acordo, lembra-me uma conspiração, um congresso político de hora de jantar. Há, neste bar, uma música demasiado alta para ser compreendida, nenhuma boa ideia pode ser gritada, a boa ideia traz dentro o volume certo.

PEREIRA, Miguel Cardoso (2009), Amor dos Babuínos. Coimbra: Temas Originais.

Idade é igual a sabedoria? Roth diz que não

Por Hélder Beja| Junho 28, 2009 | Sem Comentários

É um pequeno vídeo em que o escritor norte-americano fala sobre os mitos da velhice. Céptico como sempre, Philip Roth diz que a verdadeira cara da velhice está nas salas de espera dos consultórios médicos e que se sente tão estúpido como quando tinha 20 anos.

«A Bola» com livros e cinema e música

Por Hugo Torres| Junho 27, 2009 | 1 Comentário

a_bola-outros_mundos

É cada vez mais difícil ser blogger. E isto vai transpirando por aqui. Há razões conjunturais globais e locais. A primeira é o Twitter, que suga aquele pouco tempo entre obrigações e lazeres. A segunda é A Bola. Ainda não tinha dito isto por cá, mas subi do Cais do Sodré ao Bairro Alto para voltar a uma redacção. (Já era tempo.) A Bola tinha um projecto novo, a renovação do site, que me abanou à frente do nariz, como se faz aos coelhos com as cenouras nos desenhos animados, e não resisti. Cá estou, no online.

O novo site de A Bola (isto soa estranho a ler, soa, mas é assim, sem apóstrofe: de A Bola) tem agora uma secção, designada por Outros Mundos, que contempla tudo o que está fora da esfera do desporto. É o que estou a fazer, sobretudo. Sim: A Bola tem agora livros e cinema e música e etc. E tudo o resto. A ideia do projecto passa por dar as informações mais relevantes do que se passa no mundo aos leitores habituais do desporto. Não se trata de um concorrente a melhor site de informação generalista. Os nossos textos são curtos para podermos dar nota de tudo um pouco. Artigos de fôlego terão menor frequência do que nos outros jornais, pelas razões acima. Quando abrimos, na terça-feira, houve entrevista a Herman José (está dividida por várias entradas) — que chegou à capa de A Bola no dia seguinte (orgulho infantil do escriba, pode ser, mas fica o sorriso).

De maneiras que A Bola vai passar a constar das «Ramificações», aqui na barra ao lado. Li, não sou cego, as críticas ao site que foram aparecendo; compreendo as razões e consigo encaixar algumas delas. Mas, particularmente no que respeita às grandes mudanças que se exigiram a A Bola, como líder de mercado, a resposta é a mesma que eu próprio encontrei sem nada perguntar: se o público responde ao site de forma positiva tão massivamente (os números são demolidores, nem imaginava…), é natural que não se veja razão para uma mudança de fundo. De resto, isto é um processo.

Michael Jackson e as primeiras páginas portuguesas

Por Hugo Torres| Junho 26, 2009 | 3 Comentários

Só o Correio da Manhã e o gratuito Meia Hora não acharam necessário alterar a capa com a morte de Michael Jackson. Todos os outros generalistas sim (imagens abaixo retiradas da banca do Sapo). Como de costume, o Público é particularmente feliz; o i tem uma boa tirada out of the box («a lenda continua», no lugar onde costumam estar as datas de início e de fim); o Metro é o único que lhe dá toda a primeira — o que é bonito, pá.

keep looking »