Húmus

Hugo Torres e Hélder Beja às voltas com a Cultura

Para filatelistas alucinados

Hélder Beja | Setembro 10, 2009 |

[outra maneira de assinar por baixo este texto de Pedro Vieira: um grunho vai atrás do hype e depois fode-se]

pynchon

Título: O Leilão do Lote 49
Autor: Thomas Pynchon
Editora: Relógio d’Água
Preço: € 14

Não é um livro fácil, este de Pynchon. A abrir conhecemos Oedipa Maas e o modo como a morte de um namorado antigo e abastado altera a sua vida, dando-lhe responsabilidades de testamenteira.

Estamos na Califórnia com uma mulher que passou anos “à espera que alguém lhe dissesse olá, solta os cabelos” (p.15). Partimos para uma investigação policial e tragicómica, que mete colecções de selos com trombetas de caça, serviços de correio alternativos, sociedades secretas, siglas complicadas e referências shakespeareanas. Até que chega o capítulo V.

Aqui abre-se a melhor sequência de “O Leilão do Lote 49”, numa viagem delirante de Oedipa por Berkeley, Oakland e San Francisco. Sucedem-se encontros com personagens inusitadas e uma trama que baralha o que aconteceu com o que poderia ter acontecido. “Mais tarde, talvez tivesse dificuldade em separar a noite em sonho e realidade” (p.87).

O livro, publicado em 1966, revela um estilo singular mas longe de ser arrebatador. E nem na forma “O Leilão do Lote 49” é um livro atrevido. Prejudica-o a edição portuguesa, com sérios problemas de revisão que irritarão o leitor mais atento. Faltam acentos por toda parte e alguns estão onde não deveriam estar, como em “visívelmente” (p.104). Há frases inteiras sem sentido: “Ele parece ter um ser sido instável” (p.116). É grave.

*Texto publicado na revista Os Meus Livros de Setembro

—-

Quero acrescentar o seguinte: Rogério Casanova, todos sabemos, venera Pynchon. Nenhum mal vem ao mundo, cada qual gosta do que quer. O que é grave é que Casanova, nesta crítica a O Leilão do Lote 49, escreva algo tão disparatado como que o livro tem «uma revisão competente e, a espaços, inspirada». A revisão é, , do pior que me passou pelas mãos desde que ando nisto dos livros.

Gostava de saber o que tem Francisco Vale a dizer sobre o assunto.

Comments

One Response to “Para filatelistas alucinados”

  1. O cidadão Hélder Beja, por Rogério Casanova : Húmus
    Setembro 11th, 2009 @ 10:09 am

    [...] disse neste post, cada um gosta do que quer. E eu gosto de ler o Rogério Casanova. Mesmo quando ele me trata por [...]

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