Húmus

Hugo Torres e Hélder Beja às voltas com a Cultura

O cidadão Hélder Beja, por Rogério Casanova

Hélder Beja | Setembro 11, 2009 |

Rogério Casanova dirige-se neste post ao cidadão Hélder Beja. Eu, que nem nos momentos mais asfixiantes do governo Sócrates me vi nomeado assim, passo por toda uma nova experiência orwelliana.

Não devo andar nisto dos livros há tempo suficiente para saber que há diferentes tipos de revisão. Para mim a revisão é a revisão e a do Lote 49 é péssima. Não, não são apenas largas dezenas de acentos omissos. São erros ortográficos, são frases sem sentido. Pouco importante? Parece que sim.

Num ponto estamos de acordo: é mais ou menos consensual [ainda que não seja garantido] que o Thomas Pynchon não trabalha para a Relógio D’Água. Mas dizer que «andar aí nos sítios a falar de livros em pormenores como acentos graves e agudos parece-me tão pertinente como fazer uma crítica ao Inglourious Basterds falando nos estofos dos assentos no Alvaláxia» é, por um lado, tentar reduzir a quase nada uma questão que me parece importante e, por outro, não pensar naquele gajo que lê o texto do Casanova (e faz muito bem, que são normalmente prosas jeitosas) para decidir se compra ou não o livro. Esse gajo pode, com todo o direito e até a bem da sua sanidade mental, não conhecer as obras de Pynchon no inglês original, pode nem sequer conseguir ler na língua de Tarantino. E pode não se estar «moderadamente a cagar» por dar 14 euros por um livro cuja leitura será sempre contaminada por uma série de incorrecções.

Parece que tudo isto não passa, afinal, de um certo «aparato gráfico» de que Casanova não fala quando fala de livros. O texto que escrevi para a Os Meus Livros é também sobre O Leilão do Lote 49 e não sobre a competência dos funcionários da Relógio D’Água. Só que não referir esta má revisão numa recensão é como ignorar a qualidade do som nas novas edições dos Beatles (assim só para mostrar que também se arranjam por aqui umas comparações mais ou menos vazias).

Como disse neste post, cada um gosta do que quer. E eu gosto de ler o Rogério Casanova. Mesmo quando ele me trata por cidadão.

Comments

One Response to “O cidadão Hélder Beja, por Rogério Casanova”

  1. R. Casanova
    Setembro 14th, 2009 @ 4:51 am

    “Só que não referir esta má revisão numa recensão é como ignorar a qualidade do som nas novas edições dos Beatles (assim só para mostrar que também se arranjam por aqui umas comparações mais ou menos vazias).”

    Não é mais ou menos vazia; por acaso é bem visto.
    A questão da revisão é diferente. Garanto que me referia à revisão da tradução da Fragmentos para esta edição, mas admito que isso não tenha ficado claro. Eu tenho uma vida muito difícil.

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